sábado, 3 de janeiro de 2015

Anunciada como lema de sua segunda gestão pela presidente Dilma, a Educação, chefiada pelo ex-governador do Ceará Cid Gomes (PROS), deverá passar por importantes mudanças já nos primeiros anos do novo mandato.

R7

Cid, que tomou posse nesta sexta-feira (2), após a presidente dizer em seu discurso que a Educação será "a prioridade das prioridades" em seu novo governo, defendeu a criação de um currículo nacional único para os ensinos fundamental e médio. A discussão é antiga entre educadores, mas nunca foi implantada com obrigatoriedade.

Hoje, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), estados e municípios têm autonomia para definir quais os conteúdos são ensinados nas escolas públicas. O MEC (Ministério da Educação) apenas indica parâmetros.

— Iniciaremos o diálogo para a instituição da base comum no ensino brasileiro desde o fundamental até o ensino médio, afirmou Cid Gomes em discurso de posse em Brasília. Outra medida, segundo o ministro, será a valorização dos professores, mais uma promessa antiga, que se repete em todas as gestões do MEC.

Cid anunciou que vai definir um novo piso nacional básico para os professores já na próxima semana. Implantado como lei em 2008, o piso determina o valor mínimo que todos os professores da Educação Básica pública devem ganhar e foi marcado pelo descumprimento em diversos estados.

— Gostaria de me dirigir a todos os professores brasileiros. Sou filho e irmão de professores. Minha experiência como prefeito e governador me ensinou ainda mais sobre a necessidade do corpo docente. Pretendo me reunir com seus representantes, vamos valorizar e reconhecer seu trabalho. Meu gabinete estará sempre aberto para receber conselhos, críticas e ajuda.

Gomes é alvo de críticas nas redes sociais devido a um suposto comentário feito em 2011 em relação ao salário de professores, quando era governador do Ceará e teria dito que os educadores devem trabalhar por paixão e não por dinheiro.

— Eu não disse isso. O que eu disse é que um servidor público, seja ele vereador, governador, médico, deputado, professor, antes de qualquer coisa precisa ter vocação.

Ele anunciou, ainda, que pretende ampliar as vagas de ensino em tempo integral e o atendimento a crianças até 3 anos de idade nas creches, além de universalizar o acesso das crianças de até 5 anos à pré-escola, melhorar a qualidade do ensino fundamental e continuar a expansão do ensino superior.

O ministro se comprometeu, também, a cumprir outras metas determinadas pelo PNE (Plano Nacional de Educação), lei federal aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidente Dilma em junho de 2014. O plano estabelece prioridades para os próximos dez anos na educação do País .

Primeiro ministro não-petista em 12 anos Gomes assumiu a pasta que estava nas mãos do PT (Partido dos Trabalhadores) desde o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é formado em engenharia civil pela Universidade Federal do Ceará. Foi prefeito de Sobral em 1996 e em 2000. Em 2006, elegeu-se governador do Ceará. Coordenou a campanha de Lula para no segundo mandato. Em 2010, foi reconduzido ao cargo de governador.

Ao falar sobre sua escolha em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, Gomes frisou que foi convidado pela presidente para gerenciar o ministério porque tem um perfil gestor, além de ser um "expoente do PROS". Em seu discurso de posse, o novo ministro disse que após os programas de combate à fome e desigualdade, como Fome Zero, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, é hora do Brasil trabalhar pela "inclusão pelo saber" com a Educação.

Foco no ensino médio Um das promessas de campanha da presidente Dilma, a reforma no ensino médio deve ser um dos focos da educação nos próximos anos. É a etapa de ensino com maior índice de evasão e piores notas nos índices de qualidade - está estagnada em 3,7 em uma escala de 0 a 10 pontos do Ideb (Ìndice de Desenvolvimento da Educação Básica). Além de ter um terço dos estudantes com atraso de mais de dois anos, segundo dados do Censo Escolar.

O ministro garantiu que as mudanças serão discutidas com os professores e a sociedade e podem ser implantadas em até dois anos.

Apesar de sugerir a criação de um currículo unificado para todo País, ele não descartou a possibilidade de manter características regionais nos conteúdos do ensino médio e defendeu que os estudantes possam escolher quais matérias querem se aprofundar visando um curso superior.

— Vou cumprir determinações da presidente Dilma, devo implantar compromissos que ela assumiu. No ensino médio temos um desafio especial, que é, além de ampliar o acesso, reformar o seu currículo, compreendendo as características regionais de cada estado e município brasileiro.

Baixo preço do petróleo pode comprometer investimentos

Gomes admitiu em entrevista que a crise econômica pode comprometer os futuros investimentos em Educação, mas assegurou que os atuais recursos já previstos com os royalties do pré-sal garantirão aportes adicionais à área.

— Vive-se uma crise de petróleo, o petróleo está muito baixo, isso certamente dificultará novos investimentos, mas o que já está feito de investimento do pré-sal tende a gerar royalties e isso serão novos recursos na educação.

Fies, ProUni e Sisu O MEC já instituiu novas regras para o ProUni (Programa Universidade parar Todos) e o Fies (Programa de Financiamento Estudantil).

Divulgadas no Diário Oficial na segunda-feira (29), as normas regulamentam o uso simultâneo de bolsas dos dois programas. Um estudante só poderá usar os dois programas quando tiver bolsa parcial do ProUni e o complemento do Fies for para o mesmo curso e na mesma instituição de ensino superior.

A pasta também deve alterar o processo de seleção do Sisu (Sistema de Seleção Unificado) que oferta vagas em universidades públicas em todo Brasil com base nos resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

As alterações deverão ser anunciadas após a divulgação do resultado do exame na segunda semana de janeiro. Segundo informações da Agência Estado, o programa passará a ter apenas uma fase na primeira edição de 2015.

Novo salário fará circular R$ 32 milhões a mais no RN

Robson Pires

O novo salário mínimo que entra em vigor no Brasil hoje beneficiará, no Rio Grande do Norte, mais de meio milhão de pessoas. O acréscimo de 8,83% concedido pelo Governo Federal e publicado no Diário Oficial da União terça-feira passada (30), aumentou o vencimento mensal de milhares de trabalhadores, aposentados e pensionistas de R$ 724,00 para R$ 788,00. O valor, porém, ainda é abaixo do previsto pelo Congresso Nacional – R$ 790,00 – e 3,70 vezes menor que o mínimo ideal apontado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que deveria ser em torno de R$ 2.923,22 para o trabalhador custear suas despesas básicas.

Frota no RN ultrapassa um milhão

O Xerife

A infraestrutura das cidades parece não acompanhar o crescimento da frota de veículos, que já ultrapassa um milhão no Rio Grande do Norte. Veículos destinados a passeio, automóveis e motocicletas, correspondem a 877.606.

Em Natal, o aumento de veículos foi de 41,04% nos últimos quatro anos, de acordo com informações do Departamento Estadual do Trânsito (Detran). Em todo o estado o crescimento foi de 42,51%.

2015 mal começou e brasileiro já paga mais caro em conta de luz O Globo

Sistema de bandeiras tarifárias entrou em vigor nesta quinta-feira em todo o Brasil

Os brasileiros já entraram em 2015 pagando mais pela energia que consomem. Desde quinta-feira, dia 1º, já está em vigor o novo sistema de bandeiras tarifárias e o ano começa com alta de 3 reais por 100/quilowatts/hora (kWh) nas contas de luz.

Agora, as distribuidoras são obrigadas a colocar na conta de luz uma sinalização sobre a situação do sistema elétrico descrita por meio de uma cor.

Se a bandeira estiver vermelha isso significa que a situação climática está ruim e as empresas estão arcando com custos elevados. Isso custará um adicional de 3 reais a cada 100 quilowatts/hora (kWh) na conta do consumidor final.

Se estiver amarela, é um nível intermediário, com alta dos custos, mas não incontroláveis como no cenário vermelho. Neste caso, o custo adicional será de 1,50 real a cada 100 kWh.

Por fim, se verde, a bandeira indica que o sistema elétrico está sob controle e não há necessidade de cobrar a mais do consumidor.

Na prática, as bandeiras refletirão os custos para se gerar, transmitir e distribuir energia. Fatores como a falta de chuvas, o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas e a necessidade de ligamento das térmicas acabam encarecendo - e muito - os gastos das empresas do setor e serão repassados para os consumidores.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Vazio, por Sayonara Lino

Sayonara Lino (*)



Hoje estou sentindo um vazio, daqueles que batem quando insistimos em entender o sentido da vida. Bobagem refletir muito, melhor é viver sem tantos questionamentos, com um tanto de lucidez, mas não em excesso para não destoar dos demais. Este dezembro chuvoso tem sido quase a legitimação da angústia que me cerca vez ou outra, um boicote, esse lado da minha mente que parece invejar minha própria alegria. Estranho, não?

Está tudo tão nublado e alagado, as idéias escureceram um pouco e ando suspirando por um passado que não voltará. Logo eu, que não sou das mais nostálgicas...

Penso no novo ano que se avizinha, os novos desafios, será que agüentarei o rojão? Sim, eu ando guerreira nos últimos tempos, não me entregarei, continuarei com a certeza dos que seguem fortalecidos intimamente.

Hoje acordei tão pálida, ando tão magra e com os fios tão brancos em meio aos fartos cabelos negros! Vi uma ruga de expressão, dei um sorriso de canto em frente ao espelho e ensaiei uma alegria antes de sair para não transmitir aos outros a melancolia que insistia em andar de mãos dadas comigo.

Comprei pão, leite, queijo, ovos, café. Cheguei em casa, tudo estava igual, tudo normal, absurdamente irretocável.

Hoje não vi borboletas, não ouvi gargalhadas, chorei e disse que estava ótima para quem perguntou. “Quem diria que viver ia dar nisso?” É o que indagava Caio Fernando Abreu.

(*) Jornalista

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Do outro lado da porta, por Celamar Maione

Celamar Maione (*)



Nove horas da manhã de um sábado nublado. Acordei com o vizinho de cima martelando na minha cabeça. Tive vontade de enfiar uma bermuda e esmurrar a porta do cidadão. Respirei fundo, contei até dez e saí da cama conformado. Antes de escovar os dentes fui até a cozinha pra fazer um café forte. Ao passar pela sala, vi que, por baixo da porta, entrava um líquido vermelho que parecia sangue. Parecia? Não, era sangue. Ou seria algum produto de limpeza novo e o faxineiro, descuidado, deixou escorrer?

Interfonei para o porteiro e perguntei se havia algum servente fazendo faxina pelos andares. Não havia. Curioso e ao mesmo tempo intrigado, me abaixei, passei a mão e quase vomitei. Era sangue. Cacete, havia alguém morto do outro lado. Homem ou mulher? Um animal? Ou seria uma brincadeira de mau-gosto das crianças do quarto andar? Abrir a porta e verificar? Mas se eu abrisse e o defunto estivesse encostado na soleira da porta e caísse na minha sala?

Por um momento tentei acreditar que era um pesadelo e logo passaria. Coloquei o café pra fazer. Entrei no banheiro com a cabeça latejando. Tomei uma ducha, escovei os dentes e voltei pra sala. O sangue invadia meu apartamento formando uma poça. E se eu ligasse para a polícia? Seria suspeito de assassinato? O telefone tocou. Dei um pulo. Era Carla, minha namorada. Tínhamos combinado de viajar pra Búzios e eu estava atrasado meia hora. Expliquei o que acontecia. Ela me chamou de mentiroso e desligou sem despedidas.

Tomei coragem e interfonei para o porteiro. Meia hora depois a polícia batia na minha porta acompanhada do Severino. Abri com o coração aos pulos. Olhei para o chão e lá estava o corpo de um desconhecido, aparentando 40 anos, com a cabeça ensanguentada, a boca aberta e os olhos arregalados. Sem conseguir respirar, eu olhava para o defunto, para a polícia e buscava explicação no rosto do Severino. Nervoso, o porteiro gaguejava contando aos policiais que o morto era genro do morador do 502, meu vizinho do lado .

O homem entrara pela manhã no prédio. A polícia perguntou pelo morador do 502. O porteiro explicou que ele costumava passear com o cachorro pela manhã.

A notícia se espalhou pelo prédio. Em poucos minutos, o corredor do meu andar lotou de curiosos. As mal-amadas que moravam em frente vibravam com a confusão. Finalmente um assunto diferente para animar o sábado – imaginei. As crianças desciam gritando pelas escadas. E a polícia me crivando de perguntas.

Eu repetia que nunca vira o morto, mas não convencia. O policial baixinho e de bigode era o mais desconfiado. Ele achava estranho que eu não tivesse ouvido nenhum barulho de briga. Expliquei que estava com a porta do quarto fechada e o ar-condicionado ligado. Que o único barulho que eu ouvia era do vizinho de cima martelando na minha cabeça.

Meu telefone tocou. Era minha mãe preocupada. Acabara de escutar a notícia no rádio. Tranquilizei-a dizendo que eu não era nenhum assassino. Uma da tarde, Seu Soares, sogro do morto, chegou acompanhado de Adamastor, um Coker de cinco anos. O policial baixinho e de bigode entrou com Seu Soares no 502. Ficaram trancados durante duas horas. Seu Soares saiu chorando acompanhado do policial.

Ele confessou o crime. Contou à polícia que seis e meia da manhã o genro tocou a campanhia. Os dois discutiram por causa de um empréstimo que o morto fez em nome dele e não pagou. Seu Soares ameaçou contar à filha. O genro o jurou de morte e saiu batendo a porta. Voltou e meteu a mão na maçaneta. A porta estava trancada. Tocou a campanhia. Amedrontado, Seu Soares abriu a porta com uma barra de ferro na mão. Novo desentendimento. Seu Soares tacou a barra de ferro na cabeça do genro . Ele caiu na minha porta. Acreditando que o marido da filha estava apenas desmaiado, foi passear com o cachorro e depois resolveu parar num boteco para tomar uma cerveja.

Assim que o rabecão retirou o corpo, por volta de três da tarde, pedi ajuda a um faxineiro para limpar o sangue . Passei o resto da tarde explicando às minhas tias e à minha mãe o que acontecera. Desliguei o telefone com a cabeça explodindo. Tomei um analgésico e ia me enfiar debaixo do chuveiro, quando o telefone tocou novamente. Era Carla. Ouviu o crime no noticiário e queria me pedir desculpa. Detesto mulher desconfiada. Recusei secamente o convite para uma saída. Ouvi alguns desaforos e levei com o telefone na cara. Não me importei. Já estava acostumado .

Durante vinte minutos deixei a água fria escorrer pelo meu corpo tenso. Saí do banho e meu estômago roncou. Estava até aquela hora apenas com um cafezinho. Resolvi comer uma pizza perto de casa. Equanto comia a pizza e bebia um chope, uma loira jantando numa mesa um pouco distante, não parava de me olhar . Correspondi. Paguei a pizza e fui até a mesa da mulher. Quando sentei, percebi a mancada. O pomo de adão denunciava. Pedi desculpas e corri para o meu apartamento. Saí do elevador e quando olhei para o chão, lembrei do corpo ensangüentado. Tive ânsia de vômito. Entrei no apartamento, fechei a porta do quarto, liguei o ar-condicionado e já me preparava para dormir, quando lembrei de uma coisa importante: a vassoura. Jurei que, se o filho da puta do vizinho de cima me acordasse,.martelando na minha cabeça, ia ter guerra. Exausto do mundinho de merda, adormeci quinze minutos depois .

(*) Radialista e jornalista, trabalhou como produtora, repórter e redatora nas Rádios Fm O DIA, Tropical e Rádio Globo. Foi Produtora-Executiva da Rádio Tupi. Lecionou Telemarketing, atendimento ao público e comportamento do Operador , mas sua paixão é escrever, notadamente poesias e contos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A busca ilusória de toda a verdade

Milton Coelho da Graça (*)



O presidente Lula, com notável franqueza, admitiu, em entrevista exclusiva, concedida a Mário Sérgio Conti, da revista piauí, não ler jornais nem revistas, não usar a internet para ler notícias ou blogs nem ver noticiários na televisão.

Merval Pereira dedicou a essa entrevista o comentário de hoje, terça, 06/01, concentrando a análise no óbvio desagrado presidencial em relação ao trabalho da imprensa, considerado “tumultuado e injusto” desde o início do primeiro mandato em 2003.

E critica fortemente a dependência, para o conhecimento claro da realidade no país e no mundo, a que o presidente teria voluntariamente se submetido, em relação a um pequeno grupo de assessores, encarregados de “digerir”, “selecionar” e “comprimir” todo o noticiário que possa lhe interessar.

Merval diagnostica que esses “canais de informação do presidente estão mais para propaganda do que para notícia”. Chega mesmo a apontar essa deformação como causa de erros de avaliação dos efeitos da crise mundial sobre a nossa economia.

E é sobre este ponto que proponho uma outra discussão: será possível a um presidente da República obter hoje uma visão plural de tudo que possa influenciar suas decisões através da leitura atenta dos três ou quatro maiores jornais, pelo menos duas revistas semanais, algumas outras publicações mensais e sem perder pelo
menos os dois mais importantes noticiários da televisão?

A pergunta tem sentido duplo: 1. o presidente da República teria condições de cumprir tudo isso como “tarefas obrigatórias” ?; e 2. mesmo acompanhando com máxima atenção todas essas fontes de informação, ele teria acesso a essa “visão plural”?

Por obrigação profissional, respondo “sim” à primeira pergunta. Mas a vida me ensinou – e certamente também ao presidente Lula - que não dá para repetir o “sim” à segunda.

Não podemos esquecer que dirigentes de outros países e das maiores empresas também são obrigados a delegar a tarefa da “peneira” – quantitativa e seletiva do noticiário – para conseguir um quadro mais ou menos completo e confiável, no qual basear as decisões.

A coluna de Merval é ótima como reflexão e defesa da liberdade de imprensa, mesmo quando imprecisa ou até mentirosa. Mas louco seria o governante que apenas confiasse nela para saber todos os ângulos de visão da realidade.

Dois anúncios de jornais brasileiros buscaram há algum tempo realçar suas maiores qualidades. O Estadão publicou uma mensagem em que proclamava a “credibilidade” como seu principal atributo. A Folha lançou um outro, em que ia apresentando algumas qualidades de um chefe de Estado, ao mesmo tempo em que ia surgindo a foto de Adolf Hitler. E aí afirmava com toda a razão, que, às vezes, não é preciso dizer mentiras, mas apenas não contar TODA a verdade;

Esse é o “x” do problema, como diria Noel Rosa.

(*) Milton Coelho da Graça, 78, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.