Eu sou o impulso
o laçoo
lapso
o colapsodos
segundos
dos instantes
do que passa
e tantas vezes
perpassaatos
des
conexos
de instintos gritando
chamando
teu nome.
Não quero estar certa.
Sou passional
e escrevo tudo errado.
Entendo tudo de amor,
mas não sei amar.
Exílio.
(Do livro “Desconexos”, Íbis Libris – Rio de Janeiro).
(*) Poetisa e advogada, fazendo especialização em Leitura e Produção Textual, autora do livro “Traços de Personalidade”
domingo, 23 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
O amor permanecerá sendo o amor, por Evelyne Furtado
Evelyne Furtado (*)
A partir de 1º de janeiro de 2009, entrou em vigor o tão discutido e pouco esclarecido Acordo Ortográfico, cujo objetivo é uniformizar a grafia das palavras em todos os países de língua de portuguesa. Vou ter que me informar sobre a reforma, pois bem ou mal, eu escrevo e deverei ter cuidado para não cometer mais erros, porém a preocupação fica por aí.
Passarei a fazer meus autorretratos e a ter meus momentos antissociais. Não usarei os hífens e finalmente não me culparei por esquecer os tremas, embora os ache bonitinhos. Comerei linguiça e pronto.
Direi que lhe perdoo, sem acento circunflexo e sem muito drama. Continuarei apta a perdoar e abrirei espaço para mais perdões verdadeiros.
Ainda bem que não tocaram na palavra que mais gosto de escrever. Amor continuará a ser amor do jeitinho que é grafado hoje e mesmo que alterassem a grafia da palavra, em essência o amor permaneceria a entrar porta adentro sem pedir licença. Filólogos e gramáticos não afetam e nunca afetarão o amor que é soberano e indomável.
Com ou sem legislação não deixarei de conjugar esse verbo com a voz do coração. Amo mesmo quando o sentimento é latente e descansa.
(*) Cronista e poetisa em Natal/RN.
A partir de 1º de janeiro de 2009, entrou em vigor o tão discutido e pouco esclarecido Acordo Ortográfico, cujo objetivo é uniformizar a grafia das palavras em todos os países de língua de portuguesa. Vou ter que me informar sobre a reforma, pois bem ou mal, eu escrevo e deverei ter cuidado para não cometer mais erros, porém a preocupação fica por aí.
Passarei a fazer meus autorretratos e a ter meus momentos antissociais. Não usarei os hífens e finalmente não me culparei por esquecer os tremas, embora os ache bonitinhos. Comerei linguiça e pronto.
Direi que lhe perdoo, sem acento circunflexo e sem muito drama. Continuarei apta a perdoar e abrirei espaço para mais perdões verdadeiros.
Ainda bem que não tocaram na palavra que mais gosto de escrever. Amor continuará a ser amor do jeitinho que é grafado hoje e mesmo que alterassem a grafia da palavra, em essência o amor permaneceria a entrar porta adentro sem pedir licença. Filólogos e gramáticos não afetam e nunca afetarão o amor que é soberano e indomável.
Com ou sem legislação não deixarei de conjugar esse verbo com a voz do coração. Amo mesmo quando o sentimento é latente e descansa.
(*) Cronista e poetisa em Natal/RN.
domingo, 2 de agosto de 2009
Blues, por Solange Sólon Borges
Solange Sólon Borges (*)
Não sei fingir que amo pouco quando em mim ama tudo.
Vergílio Ferreira
Recebo sua imagem envolta em azul.
Mergulho onde se escondem asas,
virações, horizontes que me aguardam.
O azul profundo da noite a tudo oculta
sob sua pele bárbara:
percebo o quanto ilumina,
oscilando entre o que pulsa e emociona,
entre o que nomeio divino e estilhaço,
entre o que mostra e revela:
a rosa em formação.
Original: o estranho jogo de sílabas
embaralhadas para que tudo tenha sentido
e precisão diante dos destroços.
As palavras como testemunha.
Sua foto está lá, imutável,
sem fissuras, corrosões, devastações,
pressas, ervas daninhas,
enquadrada para a eternidade,
disciplinada pela beleza.
Sol encarcerado. Rios de luz na imobilidade,
semblante desfocado de anjo.
Na contraluz não se vê
a aparição subterrânea do que há em mim:
códigos intraduzíveis da fúria
e o útero dos relâmpagos.
A vida tem urgências...
as noites queimam
incontroláveis de amor.
O que temo? O desconhecido?
A profundidade dos abismos e seus alicerces corroídos?
Onde a arquitetura da paz?
A administração do caos?
É preciso que tudo doa menos.
Tenho necessidades medievais
diante do peso total de um céu desesperado.
Minhas pequeninas coisas do coração:
sonhos pisados, o amor que esperei e nunca veio...
Será que alguém ainda consegue
me fazer algum mal depois de tudo que vivi?
A circularidade do que é humano:
o mecanismo da vida que leva
a todos para tão longe
e depois os traz para tão perto
em sua sincronicidade perfeita.
Por isso seu olhar é azul e meu silêncio, blues.
(*) Jornalista, dedica-se a diversos gêneros literários. Entre outras atividades, atua em alguns programas “O prefácio”, sobre livros e literatura. Um deles é o programa Comunique-se, levado ao ar pela TV interativa ALL TV (2003/2004). Apresentou, também, “Paisagem Feminina”, pela Rádio Gazeta AM (1999), além de crônicas diárias na Rádio Bandeirantes e na Rádio Gazeta — emissoras das quais foi redatora, repórter, locutora e editora.
Não sei fingir que amo pouco quando em mim ama tudo.
Vergílio Ferreira
Recebo sua imagem envolta em azul.
Mergulho onde se escondem asas,
virações, horizontes que me aguardam.
O azul profundo da noite a tudo oculta
sob sua pele bárbara:
percebo o quanto ilumina,
oscilando entre o que pulsa e emociona,
entre o que nomeio divino e estilhaço,
entre o que mostra e revela:
a rosa em formação.
Original: o estranho jogo de sílabas
embaralhadas para que tudo tenha sentido
e precisão diante dos destroços.
As palavras como testemunha.
Sua foto está lá, imutável,
sem fissuras, corrosões, devastações,
pressas, ervas daninhas,
enquadrada para a eternidade,
disciplinada pela beleza.
Sol encarcerado. Rios de luz na imobilidade,
semblante desfocado de anjo.
Na contraluz não se vê
a aparição subterrânea do que há em mim:
códigos intraduzíveis da fúria
e o útero dos relâmpagos.
A vida tem urgências...
as noites queimam
incontroláveis de amor.
O que temo? O desconhecido?
A profundidade dos abismos e seus alicerces corroídos?
Onde a arquitetura da paz?
A administração do caos?
É preciso que tudo doa menos.
Tenho necessidades medievais
diante do peso total de um céu desesperado.
Minhas pequeninas coisas do coração:
sonhos pisados, o amor que esperei e nunca veio...
Será que alguém ainda consegue
me fazer algum mal depois de tudo que vivi?
A circularidade do que é humano:
o mecanismo da vida que leva
a todos para tão longe
e depois os traz para tão perto
em sua sincronicidade perfeita.
Por isso seu olhar é azul e meu silêncio, blues.
(*) Jornalista, dedica-se a diversos gêneros literários. Entre outras atividades, atua em alguns programas “O prefácio”, sobre livros e literatura. Um deles é o programa Comunique-se, levado ao ar pela TV interativa ALL TV (2003/2004). Apresentou, também, “Paisagem Feminina”, pela Rádio Gazeta AM (1999), além de crônicas diárias na Rádio Bandeirantes e na Rádio Gazeta — emissoras das quais foi redatora, repórter, locutora e editora.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Um homem vive em mim, por Ilcimar Abreu
Ilcimar Abreu (*)
Lembro de mim pequenininha ainda, meias curtas, vestido bordado, cabelo lisinho, mas já sabia quem era aquele homem que me tomaria pelas mãos – resoluto forte altivo –, simplesmente ele.
Ainda hoje insisto em ler poesias de amor, peças entremeadas de glória e desvario. Me atrai a transgressão, aquilo que expande as sensações, a faceta mais teatral – irreverência.
Passeando pelas ruas ensolaradas, certa manhã, olhei para o céu tantas vezes, tantas vezes me encantei e cheguei a pensar em desistir de amar. Mas temos tantos segredos, facetas de melodrama e de paixão, amálgamas de prata e ouro; nem mesmo conhecemos nosso destino, em que instante seremos felizes ou infelizes...
Preciso dizer neste momento que em torno de mim vive a loucura, que não tolero gestos cotidianos e observo, satisfeita, esvaindo-se de mim a exuberância alheia em direção ao nada. Desejaria esquecer tensões, apertar mãos, abraçar indistintamente a quem passasse diante de mim nas ruas, ter sentimentos infantis, ora.
Cantigas de roda invadem minha mente e, não tem jeito, aquele homem é o centro de tudo, um mistério. És minha melodia, o que me dá cadência, sincopado, alegria: não tem jeito, ele é o centro de mim, um mistério. Simplesmente ele.
(*) Produtora cultural, cursando Letras na Estácio de Sá, Niterói, RJ.
Lembro de mim pequenininha ainda, meias curtas, vestido bordado, cabelo lisinho, mas já sabia quem era aquele homem que me tomaria pelas mãos – resoluto forte altivo –, simplesmente ele.
Ainda hoje insisto em ler poesias de amor, peças entremeadas de glória e desvario. Me atrai a transgressão, aquilo que expande as sensações, a faceta mais teatral – irreverência.
Passeando pelas ruas ensolaradas, certa manhã, olhei para o céu tantas vezes, tantas vezes me encantei e cheguei a pensar em desistir de amar. Mas temos tantos segredos, facetas de melodrama e de paixão, amálgamas de prata e ouro; nem mesmo conhecemos nosso destino, em que instante seremos felizes ou infelizes...
Preciso dizer neste momento que em torno de mim vive a loucura, que não tolero gestos cotidianos e observo, satisfeita, esvaindo-se de mim a exuberância alheia em direção ao nada. Desejaria esquecer tensões, apertar mãos, abraçar indistintamente a quem passasse diante de mim nas ruas, ter sentimentos infantis, ora.
Cantigas de roda invadem minha mente e, não tem jeito, aquele homem é o centro de tudo, um mistério. És minha melodia, o que me dá cadência, sincopado, alegria: não tem jeito, ele é o centro de mim, um mistério. Simplesmente ele.
(*) Produtora cultural, cursando Letras na Estácio de Sá, Niterói, RJ.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Ausência do sol, por Evelyne Furtado
Evelyne Furtado (*)
"(...) Onde vocês veem coisas ideais, eu vejo coisas humanas; ah, somente coisas demasiadas humanas!”
Naquele verão Nietzsche era o filósofo da moda. Todos pareciam conhecer o pensador intimamente, menos eu.
Um adolescente de 18 anos, em uma discussão on line, "mandou-me" ler Nietzsche. Achei o cúmulo da prepotência. Eu, que me considerava uma leitora razoável, estava sendo questionada por não ter lido o filósofo alemão. por um menino!
Depois de responder-lhe com minha ninharia "nietzschiana", advinda de Josteein Gardder, em poucas linhas de O Mundo de Sofia e de outros livros de iniciação à filosofia, resolvi encarar essa.
Empolgada com Quando Nietzsche Chorou, o romance de Irwin D. Yalon, onde Freud, Dr.Josef Breur, Friderich Nietzsche e Lou Salomé reunem-se na ficção, passei ao assassino de Deus.
Durante dias de muito calor, levei seu primeiro livro, “Humano Demasiado Humano” e outro trabalho sobre a sua obra, para a praia. Eu, Nietzshe, água de coco e o sol na Praia de Forte, em Natal.
A semana começou com o brilho do sol e o entusiasmo do aprendizado.
Lia os aforismo que contrariavam os fundamentos com os quais eu havia formado meu comportamento e me impressionava com a razão contida nas idéias do pensador.
Ali tudo era permitido em razão do bem-estar do homem. Não havia Deus. Não havia o mal. Quem matasse ou roubasse para se satisfazer teria Nietzsche como padrinho.
O super-homem, o eterno regresso e, principalmente, o niilismo, apesar de toda genialidade do filósofo, foram apagando o sol dentro de mim.
Ao fim daquela semana, eu sabia um pouco mais sobre Nietzsche, porém era uma mulher quase sem esperança. O sol queimava minha pele, mas não me aquecia.
Não me interessava o mundo segundo o filósofo alemão. Eu precisava e preciso crer em um ser superior acima dos homens e fiz a opção pela fé, sem deixar de me compadecer e de admirar aquele homem sábio e triste. Naquele verão, optei pelo sol e deixei Nietzsche na prateleira.
(*) Cronista e poetisa em Natal/RN
"(...) Onde vocês veem coisas ideais, eu vejo coisas humanas; ah, somente coisas demasiadas humanas!”
Naquele verão Nietzsche era o filósofo da moda. Todos pareciam conhecer o pensador intimamente, menos eu.
Um adolescente de 18 anos, em uma discussão on line, "mandou-me" ler Nietzsche. Achei o cúmulo da prepotência. Eu, que me considerava uma leitora razoável, estava sendo questionada por não ter lido o filósofo alemão. por um menino!
Depois de responder-lhe com minha ninharia "nietzschiana", advinda de Josteein Gardder, em poucas linhas de O Mundo de Sofia e de outros livros de iniciação à filosofia, resolvi encarar essa.
Empolgada com Quando Nietzsche Chorou, o romance de Irwin D. Yalon, onde Freud, Dr.Josef Breur, Friderich Nietzsche e Lou Salomé reunem-se na ficção, passei ao assassino de Deus.
Durante dias de muito calor, levei seu primeiro livro, “Humano Demasiado Humano” e outro trabalho sobre a sua obra, para a praia. Eu, Nietzshe, água de coco e o sol na Praia de Forte, em Natal.
A semana começou com o brilho do sol e o entusiasmo do aprendizado.
Lia os aforismo que contrariavam os fundamentos com os quais eu havia formado meu comportamento e me impressionava com a razão contida nas idéias do pensador.
Ali tudo era permitido em razão do bem-estar do homem. Não havia Deus. Não havia o mal. Quem matasse ou roubasse para se satisfazer teria Nietzsche como padrinho.
O super-homem, o eterno regresso e, principalmente, o niilismo, apesar de toda genialidade do filósofo, foram apagando o sol dentro de mim.
Ao fim daquela semana, eu sabia um pouco mais sobre Nietzsche, porém era uma mulher quase sem esperança. O sol queimava minha pele, mas não me aquecia.
Não me interessava o mundo segundo o filósofo alemão. Eu precisava e preciso crer em um ser superior acima dos homens e fiz a opção pela fé, sem deixar de me compadecer e de admirar aquele homem sábio e triste. Naquele verão, optei pelo sol e deixei Nietzsche na prateleira.
(*) Cronista e poetisa em Natal/RN
domingo, 12 de julho de 2009
Janelas, por Fabiana Bórgia
Fabiana Bórgia (*)
A vida abre
caminhos:
existencialismo de Sartre.
Eu me envolvo
com o mundo
e me escondo
(atrás das portas)
até alguém me descobrir
Quando o silêncio expandir a minha voz
eu estou aqui.
Isso tudo
quando percebo
janelas.
(Do livro “Desconexos”, Íbis Libris – Rio de Janeiro).
(*) Poetisa e advogada, fazendo especialização em Leitura e Produção Textual, autora do livro “Traços de Personalidade”.
A vida abre
caminhos:
existencialismo de Sartre.
Eu me envolvo
com o mundo
e me escondo
(atrás das portas)
até alguém me descobrir
Quando o silêncio expandir a minha voz
eu estou aqui.
Isso tudo
quando percebo
janelas.
(Do livro “Desconexos”, Íbis Libris – Rio de Janeiro).
(*) Poetisa e advogada, fazendo especialização em Leitura e Produção Textual, autora do livro “Traços de Personalidade”.
domingo, 5 de julho de 2009
Casa de praia, por Rodrigo RamazziniRodrigo Ramazzini (*)
- Amor, olha só...
- Que?
- Ontem, os guris me ligaram... E... E me fizeram um convite.
- Que convite, Márcio?
- Bom! Tu sabes que eles estavam cheios de planos para o verão, né?
- Ricos planos! Forjados em meio a muitos litros de cerveja. Tinham tudo para dar errado! Por isso nenhum saiu do papel...
- Pois é... Tenho que concordar em parte contigo. Em anos anteriores foi assim mesmo. Mas desta vez a idéia de alugar uma casa na praia, finalmente, se concretizou.
- Ah é? Que legal! Até que enfim... As gurias alugaram uma também!
- Também?
- Arãn! Bah! Estava pensando aqui: fazia uns bons verões que eles estavam alugando essa casa mesmo, hein?
- É verdade!
- Qual a praia?
- Na mesma aquela que a mãe do Arroz tem casa!
- Ah tá! Quando eles irão?
- Na sexta-feira.
- Quem vai? Toda a galera?
- Sim! Sim! Quer dizer, em parte...
- Como “em parte”?
- Bom! Os solteiros eu sei que vão...
- E?
- Eu e o Marquinho já não sabemos!
- Ué! Por quê? Vamos! Qual o problema? São seus amigos...
- É que tem um problema.
- Qual?
- É que... É que... O convite que eles me fizeram não te incluía. Era para eu ir sozinho. Pronto! Falei!
- Mesmo?
- Arãn!
- E o que tu respondeste?
- Que iria falar contigo!
- Para disfarçar, né? A resposta tu já sabes que logicamente é um não!
- Por quê?
- Tu ainda tens a cara de pau de perguntares por quê? Sozinho na praia com teus amigos, nem pensar! Só seu eu estivesse louca!
- Qual o problema? O que tem de mais?
- Qual o problema, Márcio? Qual o problema? Que orgia praiana não vai virar essa casa...
- Nada a ver, Veridiana!
- Sei... Prefiro acreditar no Coelhinho da Páscoa!
- Não faz assim! Será só um tempo na praia com a galera, para espairecer, só isso...
- Eu acredito! Se tiver muita cerveja e mulheres correndo de calcinha pela casa então, vai ser perfeita a espairecida!
- Meu Deus! Não é isso! Tu sempre fazendo caso... Só quero aproveitar as minhas férias.
- Márcio! Vou falar pela última vez com todas as letras pausadamente: a resposta para a tua ida a praia sozinho com os amigos é NÃO! E não se fala mais nisso...
Sexta-feira
- Smack! Mmm! Ah... Que beijo!
- Quer mais, meu gatinho?
- Arãn! Eu já falei que te amo hoje?
- Que eu me lembre não! Que barulho é esse?
- É o meu telefone... Não acredito!
- O que foi?
- É o meu chefe!
- Atende.
- Alô! É ele. Oi chefe! Fala... Estou na cidade sim! De férias, mas estou... Ah ah ah... Por quê? Putz! É mesmo! Tio dele que morreu, isso? Bah... Até posso, mas... O Vinícius não iria substituí-lo? Ah é? Que azar! Qual pé? Pior ainda... Bom! Se for para o bem da empresa e felicidade geral do chefe, eu vou sim! Daqui a pouco estou aí. Tchau.
- O que foi Márcio?
- O babaca do meu chefe me chamando para trabalhar. Parece que morreu um tio do Osmar e o Vinícius quebrou o pé jogando futebol. Daí, vou ter que substituí-los. Preciso ir lá, meu amor.
- Em plenas férias, Márcio?
- Fazer o quê? Não podia recusar, né! Eu preciso deste emprego... O pior é que, pelo jeito que ele falou, vou ter que trabalhar o final de semana todo. Mas eu mando notícias. Dá um beijo: Smack! Mmm! Fui! Qualquer coisa me liga...
Minutos depois...
- Alô!
- Mônica é a Veridiana! O que eu te falei? Aconteceu aquilo que eu previa. Conheço bem o Márcio. O safado usou a velha desculpa de ter que trabalhar no final de semana pra me enrolar. O infeliz está até de férias. Com certeza irá para a praia com os amigos. Falando em praia, aquele convite de eu ir com vocês ainda está pé? Vão sair daqui à uma hora, isso? Perfeito! Vou arrumar as minhas coisas e espero vocês...
(*) Jornalista e cronista.
- Que?
- Ontem, os guris me ligaram... E... E me fizeram um convite.
- Que convite, Márcio?
- Bom! Tu sabes que eles estavam cheios de planos para o verão, né?
- Ricos planos! Forjados em meio a muitos litros de cerveja. Tinham tudo para dar errado! Por isso nenhum saiu do papel...
- Pois é... Tenho que concordar em parte contigo. Em anos anteriores foi assim mesmo. Mas desta vez a idéia de alugar uma casa na praia, finalmente, se concretizou.
- Ah é? Que legal! Até que enfim... As gurias alugaram uma também!
- Também?
- Arãn! Bah! Estava pensando aqui: fazia uns bons verões que eles estavam alugando essa casa mesmo, hein?
- É verdade!
- Qual a praia?
- Na mesma aquela que a mãe do Arroz tem casa!
- Ah tá! Quando eles irão?
- Na sexta-feira.
- Quem vai? Toda a galera?
- Sim! Sim! Quer dizer, em parte...
- Como “em parte”?
- Bom! Os solteiros eu sei que vão...
- E?
- Eu e o Marquinho já não sabemos!
- Ué! Por quê? Vamos! Qual o problema? São seus amigos...
- É que tem um problema.
- Qual?
- É que... É que... O convite que eles me fizeram não te incluía. Era para eu ir sozinho. Pronto! Falei!
- Mesmo?
- Arãn!
- E o que tu respondeste?
- Que iria falar contigo!
- Para disfarçar, né? A resposta tu já sabes que logicamente é um não!
- Por quê?
- Tu ainda tens a cara de pau de perguntares por quê? Sozinho na praia com teus amigos, nem pensar! Só seu eu estivesse louca!
- Qual o problema? O que tem de mais?
- Qual o problema, Márcio? Qual o problema? Que orgia praiana não vai virar essa casa...
- Nada a ver, Veridiana!
- Sei... Prefiro acreditar no Coelhinho da Páscoa!
- Não faz assim! Será só um tempo na praia com a galera, para espairecer, só isso...
- Eu acredito! Se tiver muita cerveja e mulheres correndo de calcinha pela casa então, vai ser perfeita a espairecida!
- Meu Deus! Não é isso! Tu sempre fazendo caso... Só quero aproveitar as minhas férias.
- Márcio! Vou falar pela última vez com todas as letras pausadamente: a resposta para a tua ida a praia sozinho com os amigos é NÃO! E não se fala mais nisso...
Sexta-feira
- Smack! Mmm! Ah... Que beijo!
- Quer mais, meu gatinho?
- Arãn! Eu já falei que te amo hoje?
- Que eu me lembre não! Que barulho é esse?
- É o meu telefone... Não acredito!
- O que foi?
- É o meu chefe!
- Atende.
- Alô! É ele. Oi chefe! Fala... Estou na cidade sim! De férias, mas estou... Ah ah ah... Por quê? Putz! É mesmo! Tio dele que morreu, isso? Bah... Até posso, mas... O Vinícius não iria substituí-lo? Ah é? Que azar! Qual pé? Pior ainda... Bom! Se for para o bem da empresa e felicidade geral do chefe, eu vou sim! Daqui a pouco estou aí. Tchau.
- O que foi Márcio?
- O babaca do meu chefe me chamando para trabalhar. Parece que morreu um tio do Osmar e o Vinícius quebrou o pé jogando futebol. Daí, vou ter que substituí-los. Preciso ir lá, meu amor.
- Em plenas férias, Márcio?
- Fazer o quê? Não podia recusar, né! Eu preciso deste emprego... O pior é que, pelo jeito que ele falou, vou ter que trabalhar o final de semana todo. Mas eu mando notícias. Dá um beijo: Smack! Mmm! Fui! Qualquer coisa me liga...
Minutos depois...
- Alô!
- Mônica é a Veridiana! O que eu te falei? Aconteceu aquilo que eu previa. Conheço bem o Márcio. O safado usou a velha desculpa de ter que trabalhar no final de semana pra me enrolar. O infeliz está até de férias. Com certeza irá para a praia com os amigos. Falando em praia, aquele convite de eu ir com vocês ainda está pé? Vão sair daqui à uma hora, isso? Perfeito! Vou arrumar as minhas coisas e espero vocês...
(*) Jornalista e cronista.
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